Brasil

Em live promovida pelo TSE, personalidades femininas debatem a necessidade de mais mulheres na política

Iniciativa faz parte da série “Diálogos Democráticos”, que vai transmitir na internet bate-papo com especialistas sobre temas relativos às eleições

Imagem: Divulgação/TSE

22/06/2020 – 07:28:48

TSE

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) transmitiu, nesta sexta-feira (19), no YouTube e em todas as suas redes sociais, a primeira live da série “Diálogos Democráticos”. As convidadas Camila Pitanga, Djamila Ribeiro e Simone Tebet debateram por cerca de uma hora e meia, para uma audiência de 14,1 mil pessoas, o tema “Mais Mulheres na Política”.

Sob a mediação do presidente da Corte, ministro Luís Roberto Barroso, as personalidades femininas foram unânimes quanto à necessidade de ações mais efetivas para promoção da igualdade de gênero na política.

Camila Pitanga é atriz e embaixadora da ONU Mulheres; Djamila Ribeiro é escritora, filósofa e professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP); Simone Tebet é senadora (MDB) e a primeira mulher a presidir a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal.

Ao abrir a live, o presidente do TSE agradeceu a participação das convidadas e destacou a importância delas na luta pela igualdade de direito das mulheres, tema que foi, inclusive, um dos pontos centrais do discurso de posse do ministro na presidência da Justiça Eleitoral.

Segundo o ministro Barroso, atrair mulheres idealistas e competentes para a política é uma importante demanda do país. “Mulheres são metade da população. E negras, pardas ou de origem indígena são metade das mulheres.

Precisamos aumentar a diversidade na vida pública brasileira. Somos um país multiétnico, multirracial, multicultural. Precisamos ter a consciência de que isso é um ativo, uma virtude, um privilégio que a história nos deu. Atrair mulheres para a política e para postos-chave na vida nacional”, disse ele, lembrando que um dos objetivos de sua gestão é o empoderamento feminino.

Luta

Na abertura da live, Camila Pitanga afirmou que era uma honra debater um ponto nevrálgico, não apenas na política brasileira, mas no mundo. “Tive a chance de aprender com a minha família a importância da vocação política. Sempre tive voz em casa. São séculos de disparidade. Ouvi o seu discurso de posse ministro, e fiquei muito feliz, pois temos à frente do TSE um aliado nessa questão. A mulher faz a diferença na política. Ela traz uma possibilidade de mudar o modus operandi quando ocupa espaços decisórios”, afirmou.

Djamila Ribeiro iniciou sua fala lembrando que as mulheres negras são a base da pirâmide social e que, durante a vida, passam por vários enfrentamentos para ter direito a oportunidades. “Nosso legado não é apenas de dor. Nosso legado é também de muita luta e resistência. Precisamos falar de mulheres que abriram caminho para fazermos os enfrentamentos necessários”, disse.

Durante a live, Djamila citou uma fala de Simone de Beauvoir: “Não se nasce mulher, torna-se mulher”, para destacar que, historicamente, as mulheres são desencorajadas a participar dos espaços políticos. “A questão do racismo e do sexismo estruturais impede que as mulheres, principalmente as negras, tenham espaço. As mulheres sempre lutaram, principalmente as negras e periféricas, por melhores condições e por seus direitos. É preciso reverenciarmos essa luta. As mulheres negras são apenas 2% do Congresso Nacional”, salientou a escritora.

Para Simone Tebet, o tema do debate não é uma pauta só das mulheres, “é uma pauta da sociedade, que quer uma nação mais democrática e mais justa”. “A participação das mulheres na política é tão pífia no Brasil, isso em pleno século 21. O grande problema é que ainda não cumprimos a Constituição Federal no que ela determina sobre a igualdade de homens e mulheres”, ressaltou.

De acordo com a senadora, o olhar da mulher na política é diferente, porque a razão da mulher para entrar na política também é diferente. “A mulher percebeu que não bastava votar. Ela precisava ser votada. Essa história de que mulher não vota em mulher é um discurso machista. O que o Legislativo não teve coragem para garantir em relação ao direito das mulheres na política, o Poder Judiciário teve, sempre procurando garantir o espaço feminino. E o TSE tem tido um papel decisivo nessa questão”, disse.

Educação

Sobre educação, um dos assuntos debatidos na live, Djamila enfatizou que ela é fundamental, pois quebra ciclos de exclusão. Para a autora, as cotas foram essenciais para diminuir abismos em relação a oportunidades. “Se temos uma educação que mostra apenas que os grandes feitos são feitos por homens, sem mostrar a perspectiva das mulheres, fica impossível que meninas se reconheçam”, disse.

Camila Pitanga concordou com Djamila, ressaltando que a educação é instrumento de poder. “Nossas ações, aquilo que fazemos diariamente, também são política. Temos que estar atentos a isso”, concluiu.

Finalizando sua participação na live, Simone Tebet afirmou que lugar de mulher é onde ela quiser, dentro e fora de casa. “Nesse momento, mais do que nunca, precisamos muito das mulheres em espaços políticos e decisórios”, disse a senadora, lembrando de propostas que tramitam no Senado Federal para garantir uma maior participação das mulheres na política.

Ao encerrar sua participação, Djamila destacou que, ao se debater o tema, é preciso ter um olhar mais interseccional, e leu trechos do discurso da abolicionista, pioneira na luta pelos direitos civis dos negros e das mulheres, Sojourner Truth, feito nos Estados Unidos, em 1851.

E não sou uma mulher?

“Aqueles homens ali dizem que as mulheres precisam de ajuda para subir em carruagens, e devem ser carregadas para atravessar valas, e que merecem o melhor lugar onde quer que estejam. Ninguém jamais me ajudou a subir em carruagens, ou a saltar sobre poças de lama, e nunca me ofereceram melhor lugar algum! E não sou uma mulher? Olhem para mim? Olhem para meus braços! Eu arei e plantei, e juntei a colheita nos celeiros, e homem algum poderia estar à minha frente. E não sou uma mulher? Eu poderia trabalhar tanto e comer tanto quanto qualquer homem – desde que eu tivesse oportunidade para isso – e suportar o açoite também! E não sou uma mulher? Eu pari 3 treze filhos e vi a maioria deles ser vendida para a escravidão, e quando eu clamei com a minha dor de mãe, ninguém a não ser Jesus me ouviu! E não sou uma mulher?”.

Concluindo o debate, o ministro Barroso agradeceu a participação das convidadas. “Estou deleitado em participar desse debate, mediando, inclusive, o mínimo possível. Agradeço às participantes pelo brilhantismo de suas falas e pela profundidade das reflexões. Tivemos aqui a oportunidade de discutir sobre a luta feminina, a importância da ascensão social, da educação, da igualdade de direitos, e sobre o nosso esforço para trazer mais mulheres ao poder. A vida é plural, e a pluralidade nos enriquece. Precisamos de avanços sociais e conquistar mais espaços para as mulheres, incluindo mulheres negras”, afirmou o presidente do TSE.

Participa Mulher

live também faz parte das ações do projeto Participa Mulher, de incentivo ao protagonismo feminino na política. O portal dessa campanha permanente da Justiça Eleitoral reúne informações sobre a história do voto feminino, das primeiras mulheres a conquistar espaços de relevância no meio político e notícias que abordam a atualidade dessa participação.

Próxima live

A próxima live da série “Diálogos Democráticos” será no dia 29 de junho, às 18h30, sobre o tema “Desinformação”. Os debatedores convidados são: Cristina Tardáguila, da Agência Lupa; o biólogo Atila Iamarino; e Felipe Rigoni, deputado Federal (PSB).

live de hoje encontra-se disponível no canal da Justiça Eleitoral no YouTube.



Receba nossas principais notícias em seu celular
Participe dos nossos Grupos Oficiais


GRUPO DO WHATSAPP GRUPO DO FACEBOOK

Lembre-se: as regras de privacidade dos grupos são definidos pelo whatsapp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Leia Também

Transição vê indícios de crime eleitoral de Bolsonaro por uso ilegal do CadÚnico

Brasil

Transição vê indícios de crime eleitoral de Bolsonaro por uso ilegal do CadÚnico

02/12/2022 – 13:16:16 Com informações de Agência PT e revisão de redação O Grupo de Trabalho de...

MPPR denuncia autores de assalto a transportadora em Guarapuava

Guarapuava

MPPR denuncia autores de assalto a transportadora em Guarapuava

02/12/2022 – 13:11:16 Com informações de MPPR e revisão de redação O MPPR (Ministério Público do Paraná),...

Dança das cadeiras: Celso Góes faz alteração no primeiro escalão do governo

Guarapuava

Dança das cadeiras: Celso Góes faz alteração no primeiro escalão do governo

02/12/2022 – 13:08:16 Blog do Observador O Prefeito de Guarapuava, Celso Góes (Cidadania) resolveu fechar o mês...

João Napoleão deixa legado com oito anos na presidência da Câmara Municipal

Guarapuava

João Napoleão deixa legado com oito anos na presidência da Câmara Municipal

02/12/2022 – 11:42:04 Redação No fim deste mês, o presidente da Câmara Municipal, João Napoleão (PODE) se...

Afastado e denunciado pelo MPPR, Sidão Oreiko continua na folha de pagamento da Câmara Municipal

Guarapuava

Afastado e denunciado pelo MPPR, Sidão Oreiko continua na folha de pagamento da Câmara Municipal

02/12/2022 – 08:38:38 Redação Mesmo estando afastado de suas atividades na Câmara Municipal desde o início de...

Transição diz que 50% das obras de saneamento estão paradas

Brasil

Transição diz que 50% das obras de saneamento estão paradas

01/12/2022 – 18:39:19 Com informações de Agência Brasil e revisão de redação O senador Randolfe Rodrigues...