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#Editorial: A Cesar o que é de Cesar

O que pensamos | “Quando os homens de Deus são corrompidos, entretanto, entregam publicamente a Deus o que é de César e vice-versa. É preciso uma garantia pública e ratificada por um fã clube que revele a imagem do santo, do homem de fé, que tal qual Cristo também é perseguido, açoitado publicamente”

Foto: Freepik

08/07/2024 – 17:14:14

Redação

Segundo os escritos bíblicos, Jesus teria sido provocado e instigado para tomar uma posição sobre os impostos pagos a Roma. Com objetivo de enganar Jesus e dessa forma obter dele uma resposta contrária à norma do pagamento de impostos aos romanos e posteriormente entrega-lo como rebelde ao governo de Pilatos, perguntaram-lhe: “devemos ou não pagar?”. Jesus teria respondido: de quem é o rosto na moeda? E então lhe responderam: “é de César”. E a partir daí veio a famosa frase: “a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.

Quando os homens de Deus são corrompidos, entretanto, entregam publicamente a Deus o que é de César e vice-versa. É preciso uma garantia pública e ratificada por um fã clube que revele a imagem do santo, do homem de fé, que tal qual Cristo também é perseguido, açoitado publicamente. Mas a face do falsário logo se revela, pois aquele que mais tem a mostrar é o que menos tem, ou, como diz o velho ditado “carroça vazia é a que mais faz barulho”. E esse barulho, por si só, é o auto da moralidade pública, é o bom cristão, o bom pai, o bom marido, o cidadão de bem com telhado de vidro.

A necessidade quase doentia de se apresentar como uma pessoa de bem também não passa despercebida, mas o discurso cai por terra quando os romanos batem à sua porta. Nessa hora, todos se transformam em fariseus, até mesmo os amigos que compartilhavam o pão e o vinho. A diferença é que – publicamente – finge não se equiparar a Jesus ou seus apóstolos, mas seu ego é massageado na vitrine da hipocrisia religiosa. Hipócrita me deito, acordado pelos romanos me levanto.

Mas não haveria Judas senão houvesse entre as ovelhas um lobo à espreita. Deus entregou Jesus ao mundo não para sacrificá-lo, mas para ensinar à humanidade o verdadeiro significado de compaixão e do amor por sua criação. O que nós fizemos? Açoitamos Jesus, o crucificamos e só consigo pensar (perdoem a blasfêmia) se Jesus tivesse Instagram o que faria: uma live contra os abusos dos romanos? E se Deus resolvesse intervir dizendo: “Meu filho é só um carpinteiro, ele não tem nada a ver com isso. Parem de citar meu nome em vão!” Cômico, senão fosse trágico.

A César o que é de César! Se ainda não entenderam as palavras do próprio Cristo, não entenderam uma única linha desse texto. Em certa medida, todos somos chamados a responder por nossos atos. A César o que é de César, a Deus o que é de Deus. Que nenhum homem caia em desgraça iludido pela besta disfarçada de Messias.

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