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Perda na comunidade LGBTQIA+ de Guarapuava evidencia necessidade de políticas públicas no município

Na última sessão ordinária do ano passado, vereadores descartaram projeto que criava Semana da Diversidade e combate à LGBTQIA+fobia

Foto: Freepik

10/01/2022 – 11:04:06

Redação

Neste domingo (09), a comunidade LGBTQIA+ de Guarapuava sofreu mais uma perda em decorrência da depressão. A vítima, identificada como Kauê Vestemberg, era um homem trans e estava em fase de transição de gênero. Em comentários nas redes sociais, muitas pessoas indicavam que Kauê lutava contra o preconceito direcionado às suas escolhas de vida.

Quando se fala sobre sexualidade e suicídio, é importante ressaltar que o Brasil ainda não possui dados específicos sobre esse tema, principalmente nos esforços de mapear os problemas da comunidade LGBTQIA+ no país. Entretanto, dados levantados pela revista científica americana Pediatrics revelam que entre a população LGBTQIA+, 62,5% das pessoas já pensaram em suicídio. O estudo também aponta que esta comunidade corre risco 21% maior de suicídio quando convivem em ambientes hostis à sua orientação sexual ou identidade de gênero.

Outro levantamento americano, publicado em 2014 pelo Instituto William, de Los Angeles, indica que quando se fala de pessoas transexuais e travestis, como Kauê, esse problema se agrava. De acordo com o estudo, mais de 40% das pessoas trans já tentaram cometer suicídio.

“Toda morte violenta envolvendo membros da comunidade LGBTQIA+, seja ela um homicídio ou suicídio, é um sinal de alerta. O problema é que esses sinais estão sendo ignorados cada vez mais. A ausência de uma política pública que ampare a comunidade faz com que o cenário da violência contra essas pessoas cresça cada vez mais. Quando apresentamos o projeto de criação da semana LGBTQIA+ no município de Guarapuava, tínhamos (e ainda temos) como objetivo trazer a discussão para toda a sociedade, falar da importância do acolhimento, do combate à desinformação e aos preconceitos, à violência, derrubar a ideia de que se eu não sigo o padrão heteronormativo, eu sou anormal ou sou doente, eu sou um ser humano”, explicou a vereadora Prof.ª Bia (MDB).

A vereadora foi autora, em parceria com a colega Bruna Spitzner (PODE), de um projeto de lei que tinha como objetivo criar a Semana da Diversidade e combate à LGBTQIA+fobia no município. Com foco na educação, combate ao preconceito, e apoio à saúde mental, a proposta foi descartada pela maioria dos vereadores da Casa, e causou revolta na comunidade LGBTQIA+ do município, que estava presente na sessão e vaiou a atitude dos legisladores.

“Infelizmente, depois que uma vida se perde por uma autolesão ou é violentamente encerrada, o “sinto muito” não adianta de nada, não vai trazer aquela pessoa de volta, não vai trazer conforto para as famílias. Temos que substituir o “sinto muito” por ações que impeçam a morte da comunidade LGBTQIA+ e só conseguiremos isso com conscientização, com a educação e, principalmente, com a empatia, colocar-se no lugar do outro. O combate ao suicídio não pode ser seletivo e é por isso que esse ano reapresentarei o projeto, a fim de ampliar a discussão com toda a sociedade, combater as inverdades e construir em conjunto com a comunidade essas políticas públicas”, afirmou Prof.ª Bia.

Vale ressaltar que Guarapuava está longe de apresentar um ambiente acolhedor às pessoas LGBTQIA+. Ainda no ano passado, um casal homoafetivo foi brutalmente agredido no município, o que levou os vereadores a aprovar uma Moção de Repúdio ao ato. Entretanto, a tragédia ocorrida com Kauê ainda evidencia a necessidade dos legisladores de ir além e aprovarem, efetivamente, políticas públicas de auxílio à essa comunidade.



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