Guarapuava

Guarapuava avança, mas a maneira de fazer política permanece a mesma

Partido Patriota encarou uma evasão de membros ao ser confrontado com valores que regem a velha política na cidade

Edson Zavadzki e Erivelton Stocco. Foto: Amanda Crissi

Guarapuava é uma cidade que está em constante desenvolvimento. Porém, a renovação e a mudança parecem não alcançar a política local. Quando dizem que a nossa cidade ainda é coronelista, isso se remete ao que acontecia na República Velha, uma hipertrofia privada sobre o poder público. Que, ao comando dos coronéis, era recheada de mandonismo e principalmente, de filhotismo, o famoso apadrinhamento.

Pensando em mudar o cenário local, surgiram em nossa cidade grupos que prezam pela política partidária, ou seja, uma estrutura que enaltece a formação de novos agentes políticos, desligando-se dos tradicionais caciques estadistas que perpetuam o executivo de Guarapuava.

“As pessoas que não se identificam com nenhum dos grupos que alternam o poder na nossa cidade não tem protagonismo na eleição. O Patriota surgiu com esse intuito, de ser um partido independente, sem subordinação a nenhum grupo político já estabelecido em Guarapuava”, explica Edson Zavadzki, presidente do Diretório Municipal da sigla.

Trabalhando em prol da formação de novas faces para atuar na política guarapuavana, o Patriota iniciou suas articulações prematuramente, visando o pleito de 2020. “Nós estamos nos reunindo há mais de um ano antes das eleições justamente para isso, para formar pessoas. Explicar como funciona esse processo eleitoral, como pedir votos para a população, como abordar os eleitores, qual a melhor maneira de começar uma campanha, enfim, tudo que envolve uma eleição”, comenta Erivelton Stoccos, que também integra o partido.

Entretanto, nem mesmo esse sopro de renovação resistiu as artimanhas da velha política. Uma vez que a comissão provisória que atuava no partido, foi substituída por uma indicação do Diretório Estadual. “Quando as pessoas do Diretório Estadual do partido indicaram as pessoas para tomar a frente do Patriota aqui em Guarapuava, isso ocorreu sem nenhum diálogo, foi uma imposição. Dessa forma, tanto eu, quanto os demais membros, decidimos sair do partido, porque não compactuamos com esses valores que regem a antiga política”, pontua Edson.

A indicação de líderes pelo Diretório Estadual é um movimento legal e comum, porém é um reflexo de que a política ainda segue os moldes do famigerado “toma lá dá cá”. “Os partidos políticos no Brasil não são levados a sério por causa disso. Não existe, hoje, dentro do estatuto partidário, nada que assegure uma comissão provisória, a não ser que seja uma direção definitiva. E nós não conseguimos organizar uma eleição para essa comissão definitiva a tempo, dessa maneira é natural que quem tome a direção seja alguém indicado pelo partido estadual. Não é algo ilegal, de maneira nenhuma, porém foge um pouco da moralidade”, destaca Edson.

Com a sigla esvaziada, tanto a nova direção quanto os membros que se evadiram, terão novos desafios pela frente. Para o primeiro, será a adversidade de angariar pessoas para compor o partido. Já para o segundo, existe a dificuldade de encontrar uma nova sigla que coadune com os valores citados anteriormente, o que não desanima quem busca essa renovação.

“Nós deixamos bem clara essa questão de que não coadunamos com a velha política, por isso saímos do Patriota, mas já estamos em conversação com outros partidos que nos procuraram, justamente porque tem interesse nessa maneira que nós conduzimos a política”, complementa Erivelton Stoccos.

“Felizmente um partido político não é apenas uma sigla, são as pessoas que trabalham em prol do que acreditam. É isso que fazemos e continuaremos fazendo, independente de onde estivermos”, finaliza Edson Zavadzki.



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