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Vereadora Professora Terezinha repudia declarações machistas de magistrado paranaense

Julgamento envolvia medida protetiva para uma menina de 12 anos que se sentiu assediada por seu professor

Foto: Divulgação/Dircom Câmara Municipal

05/07/2024 – 14:49:59

Redação

A vereadora Professora Terezinha (PT) repudiou as declarações machistas do desembargador Luis Cesar de Paula Espindola, membro da 12ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR). Durante um julgamento, nesta quarta-feira (03), envolvendo uma medida protetiva para uma menina de 12 anos que se sentiu assediada por seu professor, Espindola criticou o “discurso feminista” e afirmou que “as mulheres estão loucas atrás dos homens”.

“Não tenho nem palavras para dizer. Ele foi extremamente misógino, machista e desdenhoso contra as mulheres. Eu repudip com veemência essa fala em qualquer espaço e mais ainda dentro de um Tribunal de Justiça, que uma autoridade como ele, um homem que julga, se pronuncie de modo tão baixo, tão vil, tão agressivo contra as mulheres, fazendo generalizações e todo tipo de desdém contra as mulheres”, declarou a vereadora Professora Terezinha.

Ela acrescentou que recebeu o vídeo dessa fala ao final da Audiência e que o relato foi de que todas as mulheres presentes se sentiram horrorizadas com as palavras do desembargador. “Além de tudo, ele fez essa fala depois que uma mulher desembargadora falou.

A vereadora concluiu seu posicionamento destacando a necessidade de maior respeito e seriedade no tratamento de casos de violência e assédio contra mulheres, e enfatizou a importância de manter uma postura firme na defesa dos direitos das mulheres dentro e fora das instituições de justiça.

O caso

O caso julgado pela 12ª Câmara Cível envolvia uma medida protetiva para uma menina de 12 anos que relatou sentir-se assediada por seu professor. Segundo informações, o professor enviou mensagens à menina durante o horário de aula, elogiando-a e pedindo que não contasse a ninguém. A menina começou a apresentar comportamentos estranhos e evitava ir às aulas. Durante acompanhamento psicológico, revelou que o professor fazia gestos e olhares maliciosos, o que causava desconforto na menina. O Ministério Público solicitou uma medida protetiva para impedir que o professor tivesse contato com a aluna.

Apesar da maioria do colegiado votar a favor da medida protetiva, Espindola divergiu, considerando um exagero “estragar a vida desse professor” e descrevendo o caso como “ego de adolescente” que “precisava de atenção”. Ele afirmou que “o professor foi engraçadinho, foi infeliz, mas aprendeu a lição. Ele já está sofrendo a punição. Até quando? Até ela fazer 18 anos?”

Quando confrontado por uma colega de colegiado, que destacou a violência contra a mulher e a importância da palavra da vítima, Espindola criticou o “discurso feminista”. Para ele, “as mulheres estão loucas para levar um elogio, uma piscada, uma cantada respeitosa”. Ele afirmou que “a coisa chegou a um ponto hoje em dia que as mulheres estão assediando” e que “professores de faculdade são assediados”.

Nota TJPR

Em resposta às declarações de Espindola, o Tribunal de Justiça do Estado do Paraná emitiu uma nota oficial: “O Tribunal de Justiça do Estado do Paraná vem a público esclarecer que não endossa os comentários feitos pelo Desembargador Luís Cesar de Paula Espíndola durante sessão da 12ª Câmara Cível do Tribunal no dia 3 de julho de 2024. Já foi aberta investigação preliminar no âmbito desta corte, com base na Resolução 135 do CNJ, e o desembargador terá prazo de 5 dias para se manifestar. O Tribunal reitera que não compartilha de qualquer opinião que possa ser discriminatória ou depreciativa, como, aliás, é próprio de sua tradição e história de mais de 132 anos”.

 

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