OPINIÃO

Cuidando da memória

Parque do Lago – Foto: Pedro Paulo Aquino

Quem não tem uma boa recordação da sua infância naquela praça onde brincava com seus colegas? Ou um primeiro amor vivido em parques, passeios aos sábados e domingos com a família? Os locais públicos estão em nossas vidas, mais do que isso, eles são nossas lembranças, memória de um povo, memória de uma cidade, mas como temos tratado nossa história?

A constituição federal prevê que o poder público deve prezar pelo patrimônio do povo, isso inclui: proteger o patrimônio cultural por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação. Mas pouco disso está acontecendo em nossa cidade, em alguns locais, praticamente nada disso.

Além dos belos parques uma cidade é constituída por cemitérios, quadras esportivas, prédios históricos, museus e etc. Como em alguns desses locais não há um grande fluxo de pessoas, o poder público simplesmente ignora esses pontos. Podemos apontar facilmente dois pontos importantes que estão há muito tempo abandonados e há tempos o povo está pedindo atenção. O primeiro é o cemitério do Guará, distrito de Guarapuava distante aproximadamente 25km. As condições desse local são terríveis, há terra e desorganização para todos os lados, o descaso com a memória daqueles que já se foram é revoltante.

Citamos esse ponto pois é de conhecimento desse que vos escreve, e sinceramente, duvido que os outros distritos estejam em situação melhor. O segundo ponto é a quadra de basquete no parque do lago, diariamente os praticantes da modalidade são obrigados a retornar as suas casas mais cedo, pois a iluminação é extremamente precária. Essa solicitação já fez aniversário! Um ano de espera e até agora um grande e sonoro nada. Novamente, falo desses pontos pois são de conhecimento em locu, tenho certeza que há inúmeras quadras esportivas na mesma situação.

Mas sejamos justos também, não é possível jogar toda a responsabilidade pela preservação do espaço comum para a prefeitura. Existe sim uma parcela de responsabilidade de nossa sociedade. Conhecimento crítico e a apropriação consciente pelas comunidades do seu patrimônio são fatores indispensáveis no processo de preservação desses locais, assim como o fortalecimento dos sentimentos de identidade e cidadania.

O fato é que a prefeitura pouco faz e população pouco cuida, uma receita perigosa para uma sociedade que deseja ser mais. Espero que acordemos logo para o fato que a cidade é sua, minha e de todos. Respeito pela cidade e respeito pelo patrimônio já!

 

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