OPINIÃO

Direção dos Correios é condenada por fornecer informações falsas em matéria que atacava trabalhadores e entidades sindicais

Foto: Divulgação/Correios

15/12/2021 – 10:07:26

Alexsander Menezes*

Pode-se afirmar com certa segurança afirmar que o uso de meios de comunicação para a divulgar ações e planos de governos é uma prática consolidada desde que a humanidade descobriu as vantagens da vida em sociedade.

A despeito da evidente evolução dos meios e métodos, a essência permaneceu a mesma, líderes divulgam suas boas obras potencializando como forma de demonstrar sua capacidade e merecimento da confiança daqueles quem lhes depositaram a confiança do seu destino.

Assim, não causaria espanto que o governo Bolsonaro seguisse essa função natural de governo – a comunicação – para implementar suas políticas, ainda que não entremos no mérito da legitimidade dos interesses por trás de cada uma das suas ações de desmonte do estado.

Entretanto, o atual governo, caracterizado pela amoralidade dos seus expoentes atingiu um patamar inédito de degradação ao incluir em escala industrial o uso de mentiras, dados falsos e ataques aos princípios basilares do bom jornalismo para alcançar seus interesses escusos.

Ao longo dos últimos três nos, essa prática espalhou-se como um vírus por todas as esferas de governo, inclusive a administração indireta como exemplo a campanha posta em prática para a desconstrução da imagem de uma das mais tradicionais empresas públicas do país: Os Correios.

Até a metade deste ano, essa prática criminosa seguiu impune, causando prejuízos à população e aos seus quase 100 mil trabalhadores e familiares, porém, uma decisão histórica da 3ª Vara do Trabalho da 10ª Região pode significar um esgotamento da condescendência institucional e a retomada das boas práticas de comunicação institucional.

Na sentença, os Correios após utilizarem informações falsas em matéria publicada na revista Época durante as negociações coletivas dos Trabalhadores em 2020 foram condenados ao pagamento de R$ 300 mil de indenização por danos morais coletivos impostos aos seus mais de 100 mil trabalhadores.

A sentença estabeleceu ainda a aplicação de uma multa de R$ 200 mil por matéria publicada caso a atual direção militarizada que loteou a alta gestão da estatal volte a praticar essa estratégia espúria do uso de veículos de comunicação (jornais, revistas, televisão e redes sociais) para desqualificar seus trabalhadores, e suas entidades de representação.

A sentença desmascarou uma ação que serviu para inibir a luta dos trabalhadores por melhores condições de trabalho, e sua tentativa desesperada de resistência contra a retirada de seus direitos através de uma matéria construída com base em contracheques com valores manipulados e informações falsas fornecida pela assessoria de comunicação da estatal a um profissional de imprensa que negligenciou deliberadamente seu papel de verificar sua fonte.

Esse ataque criminoso, foi determinante para que os Trabalhadores sofressem o maior massacre já visto nas negociações coletivas – entendimento compartilhado inclusive por alguns dos integrantes do Tribunal Superior do Trabalho – quando mais de 50 cláusulas históricas foram retiradas, inclusive com a supressão de auxílio aos dependentes portadores de necessidades especiais.

A condenação pode indicar uma mudança de rumo, e ainda que tardia, é um marco na retomada da normalidade democrática; e embora seus efeitos sejam simbólicos – o valor é ínfimo para uma estatal cujos lucros bilionários são crescentes.

Talvez a penalidade fosse mais pedagógica ao estabelecer que tais valores fossem cobrados não da empresa, e da população brasileira, legítima dona desse patrimônio público, mas da atual direção da estatal e dos agentes que praticaram tais atos classificados como criminosos.

Infelizmente as estratégias utilizadas pela atual direção militarizada da empresa são um reflexo do governo que loteou os principais postos de direção dos Correios para favorecer o seu desmonte, atacar as entidades sindicais e retirar direitos históricos da Classe Trabalhadora, porém, a decisão do magistrado traz alguma esperança de que seja dado um basta a essas práticas criminosas.

Leia a sentença na íntegra: https://pje.trt10.jus.br/consultaprocessual/captcha/detalhe-processo/0000678-07.2020.5.10.0003/1

*Alexsander Menezes é Administrador  pela Universidade Católica de Brasília e especialista em Gestão de Pessoas e Liderança pela Universidade Cândido Mendes do RJ. Empregado dos Correios há 19 anos, atualmente é Secretário de Formação e Estudos Socioeconômicos do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Paraná.


por:

Alexsander Menezes

Administrador  pela Universidade Católica de Brasília e especialista em Gestão de Pessoas e Liderança pela Universidade Cândido Mendes do RJ. Empregado dos Correios há 19 anos, atualmente é Secretário de Formação e Estudos Socioeconômicos do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Paraná.

Ver mais colunas

LEIA TAMBÉM

Assista ao BBB, o que destrói o país é a incompetência do governo

20/01/2022 – 15:43:23 Luiz Felipe Chega janeiro e começam as discussões infernais sobre assistir ou não ao reality show...

Devemos tolerar os intolerantes?

14/01/2022 – 10:25:07 Luiz Felipe Em 1945, o filósofo austríaco naturalizado britânico – Karl Popper – fez essa...

Por que lemos revistas?

14/01/2022 – 08:16:54 André Luís A. Silva Em janeiro de 1812, em Salvador, na Bahia, surgia a primeira revista brasileira...

Aumento dos casos de Covid-19 em Guarapuava: Uma tragédia anunciada

07/01/2022 – 11:20:41 Alexsander Menezes O Boletim divulgado pela Secretaria de saúde de Guarapuava apontou que hoje (06)...