OPINIÃO

Ensaio sobre a nossa cegueira

Foto: Freepik

29/12/2021 – 07:45:44

Alexsander Menezes

A ausência de empatia, insensibilidade e desprezo pela vida humana demonstrado por Bolsonaro durante a tragédia que se abateu sobre o sul da Bahia não chega a surpreender aqueles que acompanham o noticiário desde primeiro de janeiro de 2019.

Jair Messias Bolsonaro talvez tenha dado mostras diárias de sua sociopatia desde os tenros tempos de cadete, e sistematicamente foi acobertado pela leniência das autoridades militares, tão draconianas com a sociedade civil e militares de sua base, mas tão amigável com delinquentes de alta patente, que conforme podemos observar, infestam suas estruturas.

Não podemos atribuir a escolha de um sociopatia para o mais alto cargo da nossa pequena república apenas à condescendência do Exército e do Superior Tribunal Militar, afinal, antes da cegueira odiosa e doentia que se abateu sobre nós, Bolsonaro assegurou sucessivos mandatos com um discurso que exaltava os instintos mais baixos de qualquer sociedade pretensamente civilizada.

Não chega a causar espanto que o atual presidente esteja aproveitando suas férias e usufruindo da idolatria da horda doentia de apoiadores que se alimentam de suas atitudes grotescas, enquanto cidadãos brasileiros padecem sem casa, abrigo, remédios e assistência.

O Bolsonaro de hoje é o mesmo psicopata que quando confrontado com milhares de mortes pela COVID respondeu com sua habitual “naturalidade” frente ao sofrimento alheio: “- E daí?”

Talvez seja essa pergunta que esteja se  fazendo enquanto se esbalda em suas férias ao lado de sua família com todos os luxos e confortos pagos por todos nós – inclusive por aqueles que perderam suas casas e até mesmo suas vidas.

Seu desprezo pelo povo que jurou defender contrasta com o zelo com que avança sobre as instituições quando se sente ameaçado, ou quando investigações sobre os supostos atos criminosos de sua prole caminham para expor suas entranhas fétidas.

De fato, a personalidade doentia de Bolsonaro traz como característica adicional o fato de que trata-se de um perjuro contumaz: Foi assim como cadete, como oficial, como deputado e como presidente, basta um pesquisa rápida para conhecer os juramentos prestados por ele nas escolas militares, na Câmara dos Deputados e ao assumir a presidência para constatar que sempre que encontrou oportunidades seus votos foram quebrados.

Em que pese a cegueira que assolou nossa nação e a fez silenciar enquanto reverberava o coro de cânticos odiosos nos espetáculos de infâmias diárias, ela vem dando mostras de que sairá do seu transe e torpor, e graças àqueles que são capazes de sentir a dor dos semelhantes – algo impossível para Bolsonaro e sua horda – nossos concidadãos vitimados pela tragédia terão algum alento, e Bolsonaro poderá continuar em suas férias, e quem saber continue perguntando aos seus apoiadores: – “E daí?”


por:

Alexsander Menezes

Administrador  pela Universidade Católica de Brasília e especialista em Gestão de Pessoas e Liderança pela Universidade Cândido Mendes do RJ. Empregado dos Correios há 19 anos, atualmente é Secretário de Formação e Estudos Socioeconômicos do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Paraná.

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