OPINIÃO

Guarapuava nas ruas contra o Governo Bolsonaro. Por quê?

Foto: Jonas Santos/(Instagram/@souzasantosjonas)

03/07/2021 – 07:57:52

Thiago Oliveira – UJC

Bem. Se as mais de 500 mil mortes não forem suficientes, podemos enumerar: o desemprego, a fome, o desastre ambiental, o desmantelamento das universidades públicas, a repressão dos povos originários, a ausência de um auxílio emergencial digno, a intolerância, o entreguismo… Ah! E mais recentemente o envolvimento do presidente com corrupção na compra de vacinas.

É em resistência a tudo isso e pela vida dos brasileiros que movimentos sociais estão organizando mais um ato nacional contra o Governo Bolsonaro-Mourão neste sábado, 3 de julho. Guarapuava também participará. O ato será realizado na Praça Cleve, às 10h30.

É bom lembrar que os desastres citados no começo do texto não são obras do acaso, da má administração ou da pandemia. A política de Bolsonaro, Mourão e da burguesia nacional sempre foi a mesma. O que temos hoje é a potencialização dessa política que coloca o lucro acima da vida e dos interesses populares. Tudo está saindo conforme o previsto. A pandemia é detalhe. Tanto é que desde os primeiros pronunciamentos de Bolsonaro sobre o coronavírus, lá em março de 2020, até hoje o presidente tem tratado o vírus ora com menosprezo, ora com gozação.

Frases como “É só uma gripezinha” e “Quer que eu faça o quê? […] Não sou coveiro” representam um pouco do que o presidente tentou fazer durante esses mais de 15 meses de pandemia no Brasil. O objetivo sempre foi minimizar os estragos, jogar a responsabilidade das mortes no colo dos outros e posar como vítima do sistema e “defensor do trabalho” enquanto faz conluio com a burguesia, principalmente através de Paulo Guedes.

Grandes empresários como Junior Durski, dono do Madero, e Roberto Justus são exemplos de aliados da burguesia que ajudaram a legitimar essa retórica. Enquanto aquele afirmou que não morreriam mais de cinco mil, este disse que morreriam mais pessoas pelo estrago econômico do que pela pandemia. É julho de 2021, nenhum plano sério de contenção ao vírus foi instituído pelo Governo Federal, nenhum lockdown foi realizado efetivamente — apenas fechamentos esporádicos e parciais —, a ciência foi posta de lado, vacinas foram ignoradas e os empregos… os empregos foram perdidos do mesmo jeito. O povo padece de fome e de covid-19. 

A estratégia de Bolsonaro funcionou para a seita (cada vez menor) que o segue. O núcleo duro do bolsonarismo continua não só reverberando os discursos do presidente mas também criando narrativas que corroborem a santidade do Messias. Enquanto Bolsonaro segue preso às amarras do STF ou dos globalistas, o país é destroçado em todas as esferas possíveis com a anuência do chefe do executivo.

Apesar dos índices de apoio ao Governo Bolsonaro terem retrocedido, ainda temos um longo caminho a ser trilhado, e ele começa com a indignação popular mostrada nas ruas. Assim como em 29 de maio e em 19 de junho, 3 de julho é mais um pedaço da estrada que precisamos percorrer para tirar o genocida e seus aliados do poder. Nossa esperança não pode ser legada às urnas em 2022. A nossa voz se faz mais forte quando bradamos em alto e bom tom que não aceitaremos mais descalabros vindos do Governo Bolsonaro-Mourão. Quantas mais pessoas não morrerão se não impedirmos esse governo?

A resistência organizada e os indivíduos indignados têm a missão de ecoar o grito por justiça entoado pelas famílias das mais de 500 vítimas até agora em Guarapuava e ir para as ruas exigir o fim imediato do genocídio que presenciamos. Também é importante demarcar posição na luta popular que se afunilará daqui para a frente. O fascismo nunca esteve tão presente quanto hoje e não deixará de espreitar a humanidade pelos esgotos com a queda de Bolsonaro. É urgente deter Bolsonaro e seus cúmplices e de quebra afiar a foice —  que terá muito mais trabalho se os ratos tomarem as ruas antes.


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