OPINIÃO

Mortalidade em Guarapuava

Foto: Freepik

24/04/2021 – 09:17:12

Por Coletivo Cláudia da Silva

É extremamente devastador o cenário que o Brasil enfrenta em 2021. Após um ano de Pandemia a guerra contra a covid dá sinais de que não terá fim tão cedo, seja pelo esforço do governo federal em não adotar medidas de controle de contágio, seja pela guerra de informações que circulam sem as devidas veracidades!

Na internet tem tudo, tudo mesmo! Notícias, cotidiano, moda, memes, alimentação, saúde, política e, sem entrar no debate da importância da tecnologia e os benefícios da internet (ou não), as diversas opiniões nas redes sobre a pandemia são conferidas pela velocidade com que as informações inverídicas chegam na população, sendo a ciência excluída dessa disputa. 

Desde antes das eleições de 2018, mas com intensidade no Governo Bolsonaro, setores jornalísticos e científicos têm lutado contra as mentiras divulgadas nos meios de comunicação. O caos na saúde, as mais de 3 mil mortes por dia, o esgotamento de trabalhadores e trabalhadoras da saúde, evidenciam a eficácia que as fake news (mentirada mesmo) apresentam em ceifar vidas.

As pessoas estão mesmo morrendo por causa da Covid-19? Embora sejam vistos comentários em redes sociais guarapuavanas que o covid tem baixa letalidade, já podemos identificar que estamos morrendo mais que o normal.

No mês de março, impulsionado pela alta mortalidade da covid-19, a região sul do Brasil registrou mais mortes do que nascimentos. É a primeira vez que isso acontece desde 1979 – data mais antiga dos registros do SIM (Sistema Integrado de Mortalidade), do Ministério da Saúde.

Segundo o portal da transparência da Arpen/Brasil (associação Brasileira de Registradores de Pessoas Naturais), que reúne dados de todos os registros de nascimentos, óbitos e casamentos do país desde 2015, até terça-feira (13) foram 34.653 mortes contra 34.345 nascimentos registrados no mês de março (os dados ainda podem ser atualizados).

Imagem: Divulgação/Coletivo Cláudia da Silva

E nesse contexto, de excesso de mortalidade, como está Guarapuava? O mês de março registrou 83 mortes por covid, o maior número desde o início da pandemia. Superando o total de mortes registrado em todo o ano de 2020, quando 58 pessoas morreram entre junho e dezembro vítimas da doença. Esse alto número de mortes por causa do covid é visível no portal da Arpen/Brasil, onde 178 mortes foram registradas em Guarapuava no mês de março. Um aumento de 64,8% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando 108 mortes foram registradas.

Imagem: Divulgação/Coletivo Cláudia da Silva

Já no primeiro trimestre de 2021, 458 mortes foram registradas em Guarapuava. Para o mesmo período em 2020, aparecem 302 registros. Um aumento de 51,65% em 2021.

Imagem: Divulgação/Coletivo Cláudia da Silva

Ou seja, coincidência ou não os números são claros: as pessoas estão sim morrendo por causa da Covid-19, pelo negacionismo, pelo uso indiscriminado de medicamentos sem eficácia comprovada. Além disso, a pandemia está no seu pior momento. As medidas restritivas de circulação do meio de março surtiram efeito para diminuir os novos casos, mas a mortalidade segue alta. Até o dia 14, o mês de abril registra 44 mortes pela doença e é o segundo mês mais letal desde o início da pandemia em Guarapuava. A rede hospitalar também não teve alívio, mesmo com 10 novos leitos de UTI abertos no início do mês, no Hospital Regional, a UTI segue 100% ocupada.

Ao invés da luta pela vida, os governantes estão adotando uma luta pela morte, com empenho no tratamento precoce sem eficácia científica contra a covid e mostrando dados alarmantes de comprometimento do fígado, dos rins, piora dos quadros de covid de quem toma esse medicamento (você pode ver aqui e aqui)

Segundo o infectologista e professor da USP Esper Kallás já existem dados suficientes para abandonar o uso das medicações indicadas no Kit covid (cloroquina, a hidroxicloroquina e a azitromicina e ivermectina). Após um ano de pandemia e dezenas de estudos, a cloroquina, a hidroxicloroquina e a azitromicina não mostraram efeito benéfico no tratamento da doença, e não há estudo convincente sobre a eficácia antiviral da ivermectina.

Assim, não só o medo de contrair Covid 19 nos aborda, mas também lidar com o negacionismo e oportunismos políticos em prol da nossa vida. Na realidade só podemos contar com o uso de máscaras eficientes (As PFF2 tem se mostrado uma aliada no controle de contágio), distanciamento social e vacina. 

Nosso coletivo está se empenhando na arrecadação das máscaras PFF2 para doação e proteção por isso, enquanto a vacina não vem, ajude o Coletivo Claudia da Silva a arrecadar essas máscaras. Você pode comprar as máscaras ou doar din din pelo PIX. 


por:

Coletivo Cláudia da Silva

O Coletivo Cláudia da Silva é um coletivo de mulheres entre 18 a 45 anos, trans, cis, hétero, lésbicas e bissexuais. Brancas e negras, trabalhadoras, universitárias, estamos unidas contra as opressões sofridas por mulheres em Guarapuava e no restante do mundo. Buscamos unificar forças como mobilização social

Ver mais colunas

LEIA TAMBÉM

Vírus de bruços e proto zueira: A ciência destruindo o senso comum

05/06/2021 – 07:20:49 Paulo Syritiuk Esta semana fomos brindados com uma aula magna sobre ciências médicas na CPI do...

A disruptura política está cobrando um preço alto

21/05/2021 – 12:57:31 Prof. Serjão Aquele discurso que parecia tão inovador, aos poucos foi perdendo o fôlego, ao pregar...

Apertem os cintos, o piloto não existiu

17/05/2021 – 09:08:17 Paulo Syritiuk Imponente, verde, amarelo, azul e branco, cruza os céus da américa latina o gigante...

A Câmara de vereadores serve pra que mesmo?

14/05/2021 – 13:00:04 João Nieckars Confesso que esta questão me vem a mente de forma recorrente e até agora não tive...