OPINIÃO

Por que os atos da “terceira via” neoliberal “floparam” neste 12/9

Foto: Reprodução (Facebook/MBL)

13/09/2021 – 08:26:06

Alexsander Menezes

Sempre que posso arrisco tentativas de me aproximar dessa juventude que me cerca no dia a dia, e em que pese na maioria das vezes, essas tentativas me fazerem soar “cringe” e resultarem em olhares constrangedores, não abro mão de tentar esquecer minha marcha galopante para a “melhor idade”.

Essas tentativas quase sempre incluem o aprendizado de um vocabulário dinâmico que diariamente me apresenta palavras novas, e ontem meu acervo foi enriquecido com o termo “flopar”, exaustivamente usado para descrever o fracasso vergonhoso da tentativa desesperada do MBL e o movimento Vem pra Rua de surfar nas manifestações contra o governo de Jair Bolsonaro.

Diversos fatores explicam o espetáculo patético dos entusiastas da terceira via visto nas ruas de várias capitais brasileiras, abandonados até mesmo pela mídia que tradicionalmente dá voz aos que se sujeitam a levantarem suas bandeiras e me arrisco, não sem medo de “flopar”, a detalhar alguns:

As lideranças do MBL e VPR estavam convictas de que a necessidade real de uma ampla mobilização de toda sociedade convencesse a esquerda a esquecer seu oportunismo histórico.

Ademais, efetivamente já contavam com os baixos instintos políticos dos postulantes a protagonistas da sonhada terceira via com destaque para Ciro Gomes, Mandetta, Sérgio Moro e João Amoedo.

Nos planos delirantes dos “garotos dourados da paulista” era certa a adesão dos bolsonaristas traídos, eleitores arrependidos, empreendedores falidos, e da tradicional alienação política e falta de memória dos brasileiros.

Um a um estes “trunfos” foram se desintegrando e sendo desconstruídos nas redes sociais, os mesmos canais que lhes renderam algum protagonismo no seu nascedouro.

As constrangedoras imagens resgatadas dos seus integrantes ao lado de Jair Bolsonaro, Eduardo Cunha, Marcos Feliciado, o vazamento constrangedor de conversas em que tentavam blindar o Senador Flávio Bolsonaro de denúncias de corrupção jogaram uma pá de cal sobre seus sonhos de reviver a “grandeza” do seu protagonismo golpista.

O esperado trunfo da memória curta dos brasileiros não foi suficiente para apagar as cicatrizes deixadas pelos quase 600 mil mortos pela COVID, retração econômica, 15 milhões de desempregados, inflação de dois dígitos, fome, miséria, e a frustrada tentativa de golpe no último 7/9 do mesmo governo que sempre apoiaram.

A adesão dos bolsonaristas traídos e eleitores arrependidos também se mostrou um erro estratégico ao desconsiderarem a vergonha, o constrangimento e o medo de prisão de seus maiores expoentes, cujo recolhimento as seus currais pareceu ser a saída mais “honrosa” e prudente.

Nem mesmo os “patos de rapina”, presença unanime nas manifestações de 2016 marcou presença nesse 12/9, quem sabe devido a insatisfação da elite empresarial e financeira obrigada também, ainda que em menor grau  a pagar o pato com os resultados econômicos da desastrosa gestão de Paulo “Posto Ipiranga” Guedes e seus “Chicago Boys”.

O fracasso constrangedor e o desprezo de todo os lados do nosso conturbado cenário político contribuíram para que canais de comunicação, ávidos por uma terceira via salvadora sequer tentassem manipular suas manchetes para projetar alguma grandeza e dignidade.

Por fim, foi determinante o fato de que nos cinco anos passados do golpe institucional de 2016, a sociedade brasileira tenha sido parcialmente imunizada do vírus da desinformação, a maior arma dos neoliberais para consumarem o seu projeto de poder, e no meu enriquecido vocabulário, o termo flopar estará para sempre ligado aos meninos do MBL e VPR.


por:

Alexsander Menezes

Administrador  pela Universidade Católica de Brasília e especialista em Gestão de Pessoas e Liderança pela Universidade Cândido Mendes do RJ. Empregado dos Correios há 19 anos, atualmente é Secretário de Formação e Estudos Socioeconômicos do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Paraná.

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