OPINIÃO

Retrofuturismo, paradoxo temporal e políticas educacionais – Parte 2

Vladimir Kush – Pros and Cons.

Partindo do pressuposto que os caros leitores do iPolítica já acompanharam a primeira parte deste texto, abrevio as explanações iniciais, indo de encontro ao que se espera de uma leitura rápida.

Em primeiro momento, o que disse sobre retrofuturismo e paradoxo temporal, não são necessariamente devaneios, mas leis dialéticas, de unidade dos contrários. O novo sempre carregará consigo aspectos do velho, do que julgava ser totalmente superado. Não apenas como inovação de práticas sociais, mas essas inovações dependem fortemente da percepção.

Retrofuturismo, paradoxo temporal e políticas educacionais – Parte 1

Vejam, o que me refiro aqui, agora com relação às propostas educacionais, como a Lei Geral das Universidades (LGU), ainda em proposição, bem como as reformas para adequação à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), é que são regressões ao passado que tentam mimetizar um progresso falsificado. Mas para que sejam aceitas como progresso, é necessário que se manipulem as percepções dos sujeitos. Não é necessário que seja uma ideia nova, muito menos boa, mas é necessário que seja percebida como tal.

O caso, meus bons leitores, é que ambas as tendências de abertura à iniciativa privada estão fadadas ao fracasso. No caso da LGU, é uma organização racionalizada de elementos não quantificáveis, como a correlação número de alunos/número de professores. Estou há tempo suficiente na universidade e na docência para elaborar o seguinte pensamento: o trabalho docente se assemelha mais ao trabalho do artesão, do que do operário da fábrica. Não significa que um é mais importante do que o outro, como pensaria a princípio o senso comum. Significa que eles têm dinâmicas diferentes, com a noção de eficiência e eficácia (ensinar mais em menos tempo, com menos recursos) que são irreconciliáveis com a licenciatura.

Em segundo momento, a universidade possui certa autonomia para o direcionamento dos recursos e práticas pedagógicas. Isso acontece porque a universidade não serve apenas para ensinar e nem o ensino pode ser mensurado através do tempo nas salas de aula. Há especificidades maiores em jogo, como as práticas extensionistas e de pesquisa. Isso compõe a tríade – ensino, pesquisa e extensão. A universidade, portanto, oferece serviços para a comunidade, respeitando especificidades microterritoriais. Na prática,  ela adequa a oferta de serviços, de acordo com as necessidades da população local, e disponibilidade de recursos.

Ora, sem a autonomia, não há adequação dos serviços. Se a universidade não possui sequer condições jurídicas e administrativas de decidir sobre quais serviços dispor, a comunidade torna-se desatendida.

A segunda premissa, agora com uma tendência nacional de cortes de bolsas de pesquisa, portanto, do próprio investimento em pesquisadores, é que pesquisa em ciências humanas não dá lucro. Pouquíssimas instituições privadas têm interesse em pesquisa na área de ciências humanas, devido ao fato de que, operando com eficiência e eficácia, outras áreas fornecem “avanços” científicos replicáveis em maior escala, com maior velocidade. Ciências humanas não são “comunistas”, apenas “não rentáveis em curto prazo”.

A tendência da BNCC, difusa em todos os setores da economia, em consequência, é um retorno às práticas do tecnicismo, agora high tech, que faria todo o sentido para Arthur Radebaugh, mas nenhum sentido na realidade concreta. Por melhor que uma “Base Comum” pareça uma boa ideia, as ideologias por trás da aprovação rápida das reformas é nefasta. O produto vendido para a maioria da população, a fim de manipular a percepção, é de que a educação é “ruim”, defasada com relação a países hegemônicos, em níveis de leitura e compreensão da escrita.

Para proporcionar o “remédio mágico”, como todos os bons discursos, sugere que o tratamento metodológico e as tecnologias estejam em seu eixo central. A premissa, por mais tosca e rudimentar que pareça, é que “precisamos acabar com o comunismo”. E assim seguem sujeitos completamente obtusos ao pensamento educacional, sugerindo panaceias para a educação.

A panaceia, é o entreguismo das riquezas materiais e imateriais da população. Mas, certo de que ainda não fomos superados pelas velhas práticas políticas, esperamos ainda um projeto de desenvolvimento nacional que nos satisfaça.

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por:

Adonias Luz

Mestrando em Educação, na linha de Políticas, História e Organização da Educação, pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO). Pós-graduando lato sensu em Neuropsicopedagogia, Graduado em Ciências Sociais, pela Faculdade Guarapuava.

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