Paraná

Mesmo com forte estiagem, Paraná não deverá ter racionamento de água

Afirmação é do diretor-presidente da Sanepar, Claudio Stabile, em audiência realizada na Assembleia Legislativa

Foto: Dálie Felberg/Alep

21/05/2020 – 13:44:18

Dircom Alep

A severa estiagem que assola o estado do Paraná não deve causar o racionamento de água. É o que afirma o diretor-presidente da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), Claudio Stabile, que explicou aos deputados estaduais as ações tomadas pelo órgão para enfrentar o longo período sem chuvas no Estado. De acordo com Stabile, as medidas preventivas implantadas pela Sanepar devem evitar que seja necessário realizar o racionamento de água no Paraná, mas que é preciso o uso racional da água. A participação atendeu a uma solicitação da Liderança do Governo e dos deputados estaduais.

Entre as ações realizadas pela empresa estão o rodízio nos sistemas integrados e em alguns sistemas isolados de abastecimento da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), a aceleração e antecipação de obras, o aproveitamento de reservas estratégicas e a transposição de rios. Com o agravamento da estiagem, o governo estadual decretou, no início de maio, situação de emergência hídrica por 180 dias. “Com o sistema de rodízio, não deixamos de entregar o produto. O último remédio, o mais amargo, é o racionamento. Diferentemente do rodízio, não há garantia de entrega do produto. Estamos trabalhando para que isso não ocorra”, afirmou Stabile.

Segundo dados publicados pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), o déficit de chuvas atingiu o Estado de forma generalizada em abril. A variação, dependendo da região, chega entre 30% a 90%. A pandemia do novo coronavírus também influenciou na situação, aliada à estiagem prolongada e às temperaturas elevadas. A situação provocou um aumento de 11% no consumo de água residencial no Paraná. Os dados são de abril 2020, em comparação com abril de 2019, da leitura feita nas residências dos paranaenses atendidos pela Sanepar.

Para o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, deputado Ademar Traiano (PSDB), o momento exige atenção. “O diretor-presidente da Sanepar fez uma exposição das medidas que a empresa vem tomando em relação à crise de abastecimento e a necessidade de uso racional da água neste período de seca histórica, que coincidiu com a pandemia do coronavírus. Um momento grave de crise que exige muita conscientização das pessoas”, afirmou Traiano.

O presidente também comentou o espaço que a Casa tem oferecido para discussão de temas que ofereçam soluções para a crise. “A Assembleia tem dado essa abertura, nesse momento em que se exige a transparência total, trazendo secretários de Estado e presidentes de companhias que podem resolver as dúvidas e acatar as sugestões dos deputados”, explicou.

Em relação à crise econômica causada pelo coronavírus, o presidente da Sanepar disse que desde o dia 12 de março a Companhia não está efetuando o corte das ligações. Medida que também é amparada pela lei estadual 20.187/2020, aprovada pelos deputados estaduais na Assembleia Legislativa.

Sobre valores considerados elevados nas faturas, relatou que por medida de proteção aos leituristas que ficaram por um período em isolamento, a Companhia efetuou a cobrança através de uma médias de consumo, o que pode ter alterado os valores, mas que aqueles que considerarem o valor alto, deve entrar em contato com a Sanepar para verificar a situação.

Rodízio

O decreto 4.626/2020 regulamenta e dá respaldo às empresas de água que atuam no Estado para tomar medidas de racionamento, equilibrando a distribuição entre todos os consumidores e regiões. Com a medida, fica permitido rodízio no abastecimento por até 24 horas. Além da Sanepar, consórcios municipais e uma empresa privada prestam o serviço no Paraná.

O Paraná atravessa a seca mais severa dos últimos 30 anos. “Passamos um período delicado. A falta de chuvas é cíclica, mas se não tomarmos medidas fortes, podemos não ter água para as próximas gerações”, alertou o diretor-presidente da Sanepar.

Seca

De acordo com notícia divulgada pela Agência de Notícias do Paraná, um levantamento divulgado pelo Simepar revela que há um déficit acumulado de chuvas para a região de Curitiba de -43,1%, Ponta Grossa (-40%), Guarapuava (-47,2%), Foz do Iguaçu (-34,7%), Cascavel (33,8%), Umuarama (-31,1%), Litoral (-22,7%), Maringá (-15%) e para Londrina, também de -15%. No geral, segundo o instituto, observa-se um acumulado negativo de pluviosidade de aproximadamente – 30% no Paraná.

O Simepar alerta que o período de estiagem no Estado deve se estender pelo menos até setembro, criando um cenário de seca ao longo do outono e do inverno. Com isso, os mananciais levarão ainda mais tempo para recuperar as condições normais de abastecimento. Outro ponto é que a própria climatologia de precipitação do Paraná aponta para valores menores de chuva nos meses do outono e inverno.



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